Opinião

A “teoria” da conspiração como “estratégias” eleitorais!

02/09/2020 17h02
Por: Ricardo Almeida
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O termo “Teoria da Conspiração”, segundo alguns pesquisadores surgiu aproximadamente no ano de 1960, cunhado pela imprensa norte americana para definir as várias versões, contrarias a oficial, do assassinato do presidente John F. Kennedy.

Porém, a criatividade humana, já desde muito tempo realizava tais “teorias” que aparecem até na Bíblia, se analisamos sob os aspectos conceituais que envolvem o nascimento destas “teorias”.

Colocamos entre aspas “Teoria da Conspiração”, por considerarmos que essa denominação não é conceitualmente correta, já que uma teoria deve nascer de uma hipótese que após se comprovada através de um método científico realmente ganha o status de teoria, ou seja, a teoria científica se constitui a partir de hipóteses testáveis, o que claramente não é o caso das “teorias das conspirações”.

Discorrer sobre esse tema é muito complexo pois envolve os “crentes” e “não-crentes”, o “racional” e o “irracional”, os fatos e suas leituras, até mesmo a ciência e o conhecimento comum. Naturalmente não teríamos espaço para entrar em todos esses aspectos nesse curto artigo. Nosso objetivo principal aqui é colocar em discussão uma ferramenta que interferiu e irá interferir muito nas próximas eleições em todo mundo.

Para entendermos um pouco mais essa nova “ferramenta” eleitoral temos que conhecer o movimento chamado QAnon, surgido nos EUA para apoiar Donald Trump. O grupo luta com um tal de “Estado Profundo” que pretende dominar tudo e todos, que seria formado por grandes empresários e que Trump seria a pessoa que tem a missão de impedir que isso ocorra.

Muitos membros deste grupo também são contrários as vacinas (poderia existir a implantação um chip para controle das pessoas), não acreditam nas mudanças climáticas e negam a pandemia. Acreditam que muitos membros do “Estado Profundo” são pedófilos e querem acabar com a família tradicional.

O crescimento destas ideias no mundo vem chamando a atenção e já existem grupos Q-Anon no México, Argentina, Colômbia, Costa Rica e Brasil, entre outras partes do mundo.

Muitas vezes apoiados em Fake News, o grupo dissemina suas crenças na redes sociais e conseguem assim uma comunicação rápida e em massa, naturalmente muitas redes já derrubaram essas páginas, porém, elas ressurgem a cada minuto.

“Comunistas comem criancinha” era uma cresça durante a guerra fria. A defesa da “Tradição, Família e Propriedade - TFP” foi um grande movimento no Brasil anterior a ditadura militar. Assim, a “estratégia” de manchar a reputação de um adversário político sempre existiu, porém, com a massificação da tecnologia e a adoção das “teorias das conspirações” essas “estratégias” ganham uma força que não tinham anteriormente.

Infelizmente essas ações colocam o eleitor em uma situação de decidir seu voto com base em fatos não verdadeiros e com certeza isso afeta em cheio o conceito de democracia.

Ricardo Almeida

Administrador, Doutor pela Universidad de León, revalidado pela UFBA em Comunicação e Cultura Contemporânea. Consultor ad hoc MEC/INEP, pesquisador e professor titular dos cursos de Administração, Medicina, Engenharia Civil, Jornalismo, Vice-reitor da Universidade de Gurupi - UNIRG. Tem experiência nas áreas de Administração, Inovação, Criatividade, Tecnologia, Propaganda e Marketing. Atuando principalmente com os temas: Marketing, Consumo, Ética, Tecnologia da Informação e Comunicação, Governo Eletrônico e Educação.

 

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