Artigo de Opinião

Economia Digital e a Cultura do Cancelamento!

O valor de bits e bytes

04/10/2020 22h18
Por: Ricardo Almeida
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A “lei da oferta e da procura” é na economia tradicional uma das mais importantes e conhecidas. Ela é básica e de fácil entendimento: quanto menos temos a oferta de um produto, mais caro esse produto será, e vice-versa. Quanto menos temos de um material na natureza ou quanto mais precisamos dele mais caro também será!

Essa lógica regulou e regula os mercados há séculos, porém com a chegada da economia digital ou nova economia, essa lei muitas vezes pode não explicar o valor de um produto ou serviço. Na ‘internet’ quanto mais seguidores um canal tiver mais caro ele será! Ou ainda, os bits são infinitos, podemos produzi-los quase sem custo algum, não é escasso e para ter valor ele precisa ser muitos, quanto mais, mais valioso será!

Pierre Levy nos explica como é difícil viver e entender uma revolução, assim, compreender tudo que a revolução digital vem causando na sociedade, não é uma tarefa fácil.

Há pouco tempo pensadores, diziam: “Curtidas não vão mudar em nada sua vida!”; “Do que adianta ter um milhão de curtidas em uma foto se você não é feliz, o que ganha com isso?”; “O que vale ter milhões de seguidores que apenas querem saber de sua vida?” entre outras preciosidades.

Hoje sabemos que, por exemplo, um Felipe Neto ganha com curtidas e seguidores em torno de R$ 170 mil por mês, ele pode até não ser feliz, porém economicamente ele “está bem”, não? Bem-vindo a nova economia!

Com essa tal de economia digital, veio também a Cultura do Cancelamento, que se compararmos com o que ocorria e ocorre na economia tradicional, poderíamos dizer que é a mesma coisa de um consumidor decidir parar de comprar certo produto ou marca, por algum fato que o decepcionou.

No mundo digital, o cancelamento também afeta os ganhos de uma pessoa ou empresa que ganha com o número de visualização que possui. O grande diferencial, que podemos observar é que no meio digital o cancelamento ocorre de maneira muito rápida e volumosa, aliás essa é uma das características do mundo digital: a aceleração das coisas, tempo e espaço em outra dimensão!

No final de minha tese doutoral escrevo: o “tempo interminável” de Berman aparentemente já terminou. Não era sólido, porém, se desfez no ar. Há muito tempo Heráclito já ensinava que a única coisa certa é a mudança. O “Penso logo existo” de Descartes, foi substituído pelo “Sinto logo existo” de Rousseau para marcar as mudanças que o moderno tinha introduzido. Hoje vários aforismos surgem para tentar designar as mudanças que vivemos: “Compro, logo existo”, “Navego, logo existo”, entre outros. Alguns procuram chamar a crise em que o mundo está mergulhado, de pós-modernidade. Na realidade, como ensina Jameson, a pós-modernidade pode ser, sem nunca ter sido...

Hoje teria que acrescentar um aforismo: “Tenho seguidores, logo existo”!

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