Artigo de Opinião

O nascimento e morte das democracias!

Precisamos refletir sobre o tema!

05/11/2020 15h00
Por: Ricardo Almeida
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O presidente dos Estados Unidos da América, Abraham Lincoln (1809 – 1865) professou a maior definição deste sistema político ao dizer: “A democracia é o governo do povo, pelo povo, para o povo”.

Porém, somente essa frase não consegue dar a real dimensão deste sistema. Talvez a fala do filósofo norte-americano Reinhold Niebuhr (1892 – 1971) consiga nos ajudar a entender um pouco mais o tema: “A capacidade do homem para a justiça faz a democracia possível, mas a inclinação do homem para a injustiça faz a democracia necessária.” Portanto, a democracia realmente nasce para dar voz ao povo, porém precisa de leis e respeito a elas para manter a justiça a todos.

Recentemente os também norte-americanos Steven Levitsky e Daniel Ziblatt escreveram um livro intitulado “Como as Democracias Morrem”, onde listam as principais ações que enfraquecem o sistema democrático e podem levar a morte.

Entre essas ações, ressaltamos algumas que ultimamente não nos é estranhas. A primeira seria quando “candidatos e/ou mandatários rejeitam a Constituição, ou expressam disposição a violá-la”. A segunda é quando os mandatários “buscam lançar mão (ou endossar o uso) de meios extra constitucionais para mudar o governo, tais como golpes militares, insurreições violentas ou protestos de massa destinado a forçar mudanças no governo”.

Em terceiro quando grupos que estão ou buscam o poder “Descrevem seus rivais como subversivos ou opostos à ordem constitucional existente”. A quarta que destacamos é quando grupos que buscam o poder ou chegaram a ele “Tem quaisquer laços com gangues armadas, forças paramilitares, milícias, guerrilhas ou outras organizações envolvidas em violência ilícita”. Por fim, citamos o ‘item’ que afirma que os que detém o poder “Endossaram tacitamente a violência de seus apoiadores, recusando-se a condená-los e puni-los de maneira categórica”.

Para Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, o atual presidente norte-americano Donald Trump teria incorrido em muitos desses itens, já na sua campanha, e ainda mais na presidência.

Quando observamos, que durante a contagem dos votos em uma eleição absolutamente difícil e em um país totalmente dividido, o atual presidente continua a ter ações citadas por estes autores, fica claro então que a democracia norte-americana corre riscos.

Isso fica mais claro quando líderes da Rússia, China, Irã entre outros começam a duvidar e até fazerem chacotas da democracia dos EUA. Com certeza esse é um momento para reflexão e não de comemoração.

Os defensores da democracia estão preocupados, o mundo está realmente em uma encruzilhada.

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