Eleições 2020

Voto impresso: Avanço ou retrocesso?

Paulo Mello

Paulo MelloO jovem Paulo Mello é Bacharel em Direito, pós-graduando em Direito Eleitoral e Gestão de Campanha. Escrevendo sobre os principais acontecimentos políticos, regionais e nacionais.

02/12/2020 08h07Atualizado há 3 anos
Por: Paulo Mello

Com o fim das eleições de 2020, retorna ao palco um assunto declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o voto impresso. Esse tema repercutiu muito tendo como base alegações que colocam em “xeque” a segurança das urnas eletrônicas, principalmente depois do atraso na apuração dos votos no 1º turno das eleições de 2020, algo que não ocorreu no 2º turno. Mesmo com a comprovação de que não houve fraude no resultado da apuração, não há quem faça uma parte da população acreditar que o mecanismo adotado pela Justiça Eleitoral é seguro.

 

A reivindicação pelo voto impresso aumenta quando liderada pelo Presidente da República Jair Bolsonaro, que tem enfatizado o tema em seus discursos. Vale lembrar que ele criticou o sistema eleitoral brasileiro mesmo vencendo as eleições de 2018.

 

Mas afinal, como funcionaria o voto impresso? Depois que o eleitor digitar e confirmar o número de seu candidato na urna eletrônica, uma impressora irá imprimir o voto. Posteriormente, a cédula impressa vai diretamente para uma urna tradicional, para que haja a possibilidade de contabilizar os votos físicos e comparar com a quantidade de votos na urna eletrônica.

 

Esse método pode ser um atraso ao sistema eleitoral brasileiro, visto que, a função da urna eletrônica foi desenvolvida para afastar a mão do homem da cédula de papel. Antes do surgimento da urna eletrônica, as fraudes eleitorais eram acontecimentos corriqueiros e extremamente prejudiciais à democracia. Imagine voltar à época de contagem de votos manuais, ao extravio de urnas e outras práticas antigas, que levará a judicialização em massa dos resultados apurados enquanto temos um sistema eletrônico seguro.

 

 

Outro ponto relevante é o alto custo para a efetivação desse sistema, em 2017 foi estimado que o valor a ser gasto fosse por volta de R$ 2,5 bilhões em dez anos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Além disso, foi observado pelos ministros do STF que votaram pela inconstitucionalidade da matéria, que o voto impresso não assegura o sigilo do voto, tornando o processo eleitoral mais propício à manipulação de eleitores e colocando em risco a soberania da vontade popular.

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