Artigo de Opinião

Cansei de discutir a “não questão”!

Chega de aceitar o inaceitável!

17/12/2020 17h59Atualizado há 4 semanas
Por: Ricardo Almeida
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Ultimamente, em tempos difíceis e que necessitariam de assertividade, não somente nas redes sociais, porém, também na grande mídia, estamos sendo obrigados a discutir o óbvio. Estamos perdendo tempo tentando explicar aquilo que nem deveria entrar em discussão, alguns já estão chamando isso de “não questão”, ou seja, tentar responder algo que não teria a menor condições de ser respondida pela obviedade contidas no contexto, pela pergunta não seguir as regras mínimas do conhecimento, civilidade, ética ou lógica.

Como responder aquém que te pergunte por que à terra não é plana? Isso é tentativa de reversão da responsabilidade de comprovar. Na verdade, quem tem que provar que à terra não é redonda seria essa “pessoa” que afirma, cientificamente é assim que funciona o método e não ao contrário.

Ruth Amossy, explica que a construção de uma imagem de si, peça principal da máquina retórica, está fortemente ligada à enunciação, colocada no centro da análise linguística. Efetivamente o ato de produzir um enunciado remete necessariamente ao locutor que mobiliza a língua, que a faz funcionar ao utilizá-la.

Porém, quando esse enunciado não obedece ao mínimo da lógica, dos conhecimentos produzidos pelo ser humano á séculos, surge a “não pergunta”. A discussão sem sentido, a perda de tempo, o desvio do que realmente deveríamos estar discutindo, do que deveria ser relevante.

Naturalmente muitos fatores podem estar envolvidos para que se formule tais perguntas, falta de conhecimento, incompreensão da realidade, negacionismo, estratégias de se vencer a discussão com base em uma retórica destrutiva que obviamente não está ligada a ética, entre outros.

Discussões “sadias” muito dificilmente podem ser iniciar com uma “não pergunta”, a não ser que quem a elaborou entenda nas primeiras contra argumentação que sua pergunta não faz sentido.

Existe o princípio da “caridade no debate”, ou seja, de se tentar buscar o melhor na argumentação da pessoa para que se possa se construir uma boa discussão, porém isso tem se demonstrado impossível na “não pergunta”, ou na falsa afirmação.

O grande problema hoje é que muitos que se utiliza destas formulações seguem na discussão com estratégias abomináveis como por exemplo se utilizar de insultos e buscar desfazer do seu respondente, se recusar a responder e/ou não explicar o que realmente quis disser e ao invés disto se utilizar da lógica de ficar “movendo o gol”, ou seja, estabelecer metas impossíveis que não podem ser atingidas. Outra estratégia que podemos observar constantemente é o uso de “dois pesos e duas medidas”, assim surge a pergunta: como avançar desta forma?

Muito atual e real ao contexto que vivenciamos, Rubens Alves disse em 2000 em seu livro Filosofia da Ciência: introdução ao jogo e a suas regras: "todo mito é perigoso, porquê induz o comportamento e inibe o pensamento".

Maria das Graças Targino em um artigo reconhece a Internet como processo de transformação profunda da realidade, mas também, vislumbra os seus efeitos colaterais, no sentido de que provoca uma série de consequências, tais como: possibilidade maior de informações inconsistentes; dificuldade crescente na triagem das informações existentes; complexidade de armazenamento e do controle bibliográfico; banalização da autoria; uso não-ético do conteúdo disponibilizado; entre outros.

Por tudo isso, adotei a tolerância zero para as “não perguntas” e as “afirmações falsas”, sem conhecimento de causa, que se utilizam se subterfúgios de fatos não relacionados para apenas atacar. Que distorcem o que foi dito, o que nos obriga, por apego ao respeito, a buscar explicar e reexplicar coisas básicas.

Quer te uma discussão saudável e democrática? Vamos lá, mantenha a coerência, a lógica e utilize os conceitos corretos por trás das palavras, caso contrário nem comece, pois, me nego a partir de agora a discutir com esses princípios com quem não os utiliza.

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