Literatura

Vencedor do concurso da Antologia Tocantina 2021 – José Gomes Sobrinho, Carlos de Bayma concede entrevista exclusiva ao editor Ronaldo Teixeira

Poeta maranhense radicado em Palmas já tem livros publicados

28/09/2021 17h48Atualizado há 3 semanas
Por: Redação
Carlos de Bayma - Arquivo pessoal
Carlos de Bayma - Arquivo pessoal

O maior premiado do concurso da Antologia Tocantina 2021 – José Gomes Sobrinho, o poeta de Palmas, Carlos de Bayma, desbancou 416 poemas habilitados de um total de 129 poetas inscritos, obtendo o primeiro lugar geral com o poema “CÂNTICO XXVII (À Cecília Meireles)”, com 124 pontos e faturou também a quinta colocação com o poema “Tinta e Poesia”, com 107 pontos. Na premiação em dinheiro, o autor receberá respectivamente, R$ 2.500,00 e R$ 500,00, perfazendo o total de R$ 3.000,00. E ainda teve mais três poemas selecionados para o livro: Paisagens, em 17º lugar, com 98 pontos; Girassol, em 24º, com 89; e Canção e Tempo, em 32º lugar, com 87 pontos. Em entrevista exclusiva, o poeta fala da alegria de ter obtido esse prêmio. Esse projeto é do escritor, jornalista e gestor cultural Ronaldo Teixeira, aprovado no Edital de Literatura da Lei Aldir Blanc no Tocantins, e prevê a publicação dos melhores 55 textos selecionados em um livro-antologia. A previsão é de que a premiação dos vencedores e o lançamento do livro deverão ser realizados em novembro, em Palmas, capital. Mais informações pelo telefone (63) 9 9230-3182 ou pelo e-mail [email protected].

 

Confira, a seguir, a entrevista de Carlos Bayma:

 

Ronaldo Teixeira – Como você vê a obtenção desse primeiro lugar em um concurso de poesia em nível estadual?

Carlos de Bayma – Eu me sinto imensamente feliz, bastante feliz com esse primeiro lugar. Eu não costumo participar de editais e de concursos literários. E eu sei que as pessoas dizem que eu deveria participar desse tipo de ações, e eu sei que isso é verdade, que eu deveria participar mesmo. Mas acabo não tendo muito ânimo e não participo de nada. E por que que eu me inscrevi nesse? Pelo nome do Zé Gomes Sobrinho, que foi meu mestre, meu grande amigo, foi assim a pessoa mais importante na minha trajetória de escritor e de poeta. Porque, quando ele conheceu os meus textos, ele abraçou os meus textos, me abraçou, me levou pros lugares, me apresentou para as pessoas. Muitas vezes, ele recebia convites para palestras ou para ser jurado, e me incluía sempre. Me colocava para substituí-lo inúmeras vezes. Então, quando eu vi que a Antologia levaria o nome do José Gomes Sobrinho, eu fiquei meio que incomodado, porque que não estava disposto a participar. E foram-se passando os dias, e eu incomodado. De certo modo, eu pensava que a questão estava ligada à memória do Zé, e eu pensei: não, eu não posso ficar fora disso, não posso. Pensei comigo: é uma forma de homenageá-lo, de participar de algo que leva o nome dele e ao que ele gostava tanto, que ele amava, que é a poesia. E então eu decidi, pelo Zé, participar e eu me inscrevi, acho que foi na tarde do último dia de inscrição.

  

Ronaldo Teixeira – Do que trata o poema vencedor e qual foi a sua intenção ao escrevê-lo?

Carlos de Bayma – Cecília Meireles é um caso de amor pra mim. Eu sou apaixonado pelo trabalho dela. Exerce muito encanto sobre mim, a poética, a poesia dela. E tem um livro chamado Cânticos, que é um livro póstumo da Cecília e que traz 26 cânticos. Eu reencontrei esse livro com uma professora e amiga, e me reapaxonei por ele, li, li, umas três vezes, assim, na sequência. E então fiquei com ele na cabeça, encantado com aquele conteúdo, com aquela perspectiva, com aquele jogo de ritmos, com aquela musicalidade da poesia da Cecília, então resolvi fazer o Cântico XXVII, pensando nela, pensando na forma quem ela apresentou o material dela, na mensagem. Então, eu vejo assim que o Cântico XXVII ele, pretensiosamente, é uma extensão dos cânticos dela, na seguinte perspectiva da fugacidade, do instante, da efemeridade da vida. Muitas vezes a gente vive muitas coisas e acaba não vivendo as coisas mais belas, mais simples. E eu fiquei pensando nisso, sobre a vida simples, sobre o amor, sobre amar as pessoas, sobre amar as coisas, sobre cuidar do pequeno mundo à nossa volta. Eu acho que é por aí a mensagem desse poema.

 

Ronaldo Teixeira – Como poeta, como você vê ações como essa, uma ação cultural que busca espelhar o que se está produzindo no Tocantins na área da Poesia, claro, sendo essa derivada de um edital cultural com apoio financeiro federal via Lei Aldir Blanc?

Carlos de Bayma – Embora eu seja uma pessoa que não costuma participar de editais e de concursos, eu acho de extrema necessidade. Para falar a verdade, exemplos como esse deveriam ser rotineiros na nossa sociedade, na nossa comunidade tocantinense, no Brasil. E, de repente, um concurso como esse acaba virando um evento porque a gente não vê com frequência, e para formar leitores, para despertar para a escrita, pra redimensionar, redirecionar a vida, a literatura, o viver poético. São imprescindíveis eventos como esse, são necessários, são de extrema necessidade. No entanto, a gente vê que a gente precisa evoluir muito na questão de políticas públicas de cultura. Nós estamos atrasados nisso, em relação a outros centros. Mas é isso, é assim que se vai construindo. Eu acho de fundamental importância esses concursos e eu quero manifestar o meu apreço pela organização, pela condução do processo, e que nós precisamos de mais e mais eventos como esse”.

 

Ronaldo Teixeira – Alguma mensagem ou algum agradecimento que você queira deixar aqui, até para aquelas pessoas que estão começando a escrever, alguma dica, alguma ideia?

Carlos de Bayma – Eu acho que as palavras do Gilson Cavalcante (poeta e um dos jurados do concurso em pauta) que eu li no release, aconselhando os novos poetas a buscar, a aprofundar, eu acho que aquelas palavras dele são benditas. Pelo meu turno, eu digo o seguinte: a poesia é uma estrada, é uma construção, eu digo sempre que todas as pessoas têm pensamentos interessantes, todas as pessoas têm um pouco de poesia no pensamento, agora, da percepção de ter esse olhar poético, essa abertura para a poesia e tornar-se um poeta, aí é uma caminhada. É importante que o jovem escritor, a jovem escritora, esteja disposto a mergulhar, de buscar águas mais profundas, porque a gente vê muito, às vezes, pessoas renomadas em suas profissões outras, aí resolvem fazer poesia e não tem regra nenhuma, assim, porque alguém é engenheiro não pode ser um bom poeta. O Zé (Gomes Sobrinho) era engenheiro e era um bom poeta. Só que, às vezes, a pessoa já tem uma estrutura alta na sua área de formação e começa a fazer poesia e espera estar à mesma altura enquanto escritor, enquanto poeta. E eu acho que são coisas diferentes. Por exemplo, alguém que tenha formação em várias áreas, ou em uma área de elevado de conhecimento, não significa que irá fazer uma poesia boa. Nós sabemos que têm grandes poetas médicos, engenheiros, lavradores, operários, então, a poesia é uma coisa democrática porque ela aparece em lugares inusitados. É importante que esse jovem poeta não se conforme, porque se a gente produz uma coisa e a gente acha aquilo a melhor coisa do mundo, a gente tem de evitar esse labirinto da vaidade. Porque a poesia exige mais da gente, a poesia exige demais de nós. A gente vê muita coisa que é vendida como poesia aqui no Tocantins, falo daqui porque é onde eu moro, muita coisa que aqui é vendida como poesia, são, no máximo, reflexões poéticas. E dependendo da estrutura de poder dos seus autores, esses textos acabam ocupando lugares muito elevados e confundindo as mentes das pessoas que estão lá embaixo. Essas pessoas pensam assim: caramba, isso é que é poesia? Isso é que é a notável poesia? Essa é que é a grande poesia? Então, isso gera muita confusão. Por isso, é importante a gente aguçar o senso crítico e, inclusive, a autocrítica. Porque a poesia merece mais, a poesia precisa de mais, a poesia exige mais.

 

Para Ronaldo Teixeira, editor do certame, esse Projeto deveria ser adotado pelo Governo do Tocantins, para realizá-lo a cada cinco anos, no máximo. “Fico feliz de realizar esse raio x da cena poética do Estado, mas penso que ações desse calibre deveriam ser políticas públicas permanentes de Cultura, como já houve em anos anteriores no Tocantins. E também se estender para outros campos, como a prosa, a artes visuais, etc.,” afirmou.

 

Sobre Carlos de Bayma

Carlos de Bayma nome artístico de Antônio Carlos Soares Baima, 47, maranhense da cidade de Lima Campos, reside desde 1993 em Palmas, Tocantins. Jornalista, escritor, cantor e compositor, desde a infância esteve envolvido com música e poesia, fosse assistindo espetáculos populares como bumba-meu-boi, pelejas de repentistas, ora confeccionando instrumentos de sucatas ou, mais tarde, nos grupos musicais congregacionais. Seu primeiro livro, O Arquipélago, foi generosamente prefaciado pelo poeta José Gomes Sobrinho. Lançou ainda Acerca da Sorte e Mistério de Curimbã, O Menino Incendiário e Esboço Terra ou Novela Urbana e o Guia do Novo Mundo.

 

Ronaldo Teixeira (Organizador e editor)

Ronaldo Coelho Teixeira, poeta, escritor e jornalista cearense, radicado no Tocantins. Por quatro (04) vezes foi ganhador da Bolsa Maximiano da Matta Teixeira, do Governo do Tocantins (inclusive, o último edital ProCultura, de 2013, ainda não pago pelo Estado), formatando, ele mesmo, todos os projetos literários de sua autoria, como Visuautoretrato, sobre a vida e obra do artista plástico Mauro Cunha (In Memorian), que ficou como suplente (https://central3.to.gov.br/arquivo/276254/) e Agenda Tocantina 2015 (https://central3.to.gov.br/arquivo/276266/); Formatou e emplacou outros projetos em outras áreas para diversos artistas, como de Música, do cantor e compositor Dorivã “Folia Dourada” – Gravação de CD de Música (https://central3.to.gov.br/arquivo/276224/) e também de Chiquinho Chokolate. Formatou o Projeto Meninos do São João, do cantor Dorivã, no edital Itaú/Unicef 2015/2016, que chegou a ser finalista em Goiânia, Goiás. (https://premioitauunicef.cenpec.org.br/finalista-e-semi/11a-edicao-2015-2016-semifinalistas/); aprovou o seu Projeto Circuito Oficineiro – Oficina de Formatação de Projetos Culturais no Promic 2019, da Prefeitura de Palmas, realizando-o entre junho e julho desse ano na capital; formatou o projeto "Feira de Cá - Keila Lipe Interpreta Sucessos Tocantinenses nas Feiras de Palmas", aprovado no Promic 2019; e formatou o projeto "Chico Fran Entre Amigos", do referido cantor e compositor, aprovado no edital de Música da Lei Aldir Blanc no Tocantins. Participou ativamente do movimento cultural em Gurupi e no Estado do Tocantins, desde à época de Goiás, atuando como conselheiro municipal de Cultura e presidente da Associação de Artes de Gurupi (AAG). Atuou como coordenador de Arte e Cultura na Fundação Cultural de Gurupi e depois Secretaria Municipal de Cultura de Gurupi, entre 2005 e 2012.

 

Lei Aldir Blanc no Tocantins

A Lei Aldir Blanc (Projeto de Lei 1.075/2020) objetivou aos municípios a possibilidade de gerarem renda mensal emergencial de R$ 600 aos trabalhadores do setor, subsídios para a manutenção de espaços artístico-culturais e a promoção de instrumentos como editais e prêmios, entre outros. O montante aplicado pelo Ministério do Turismo por meio da Secretaria Especial da Cultura - mas não utillizado por todos os municípios brasileiros, infelizmente - é algo inédito na história dos investimentos públicos na área da Cultura, além de representar um auxílio extremamente necessário aos agentes da Cultura nesse momento de pandemia. Foram R$ 3 bilhões em recursos para todo o país. Para o Tocantins, o repasse foi de R$ 35.137.985,22, segundo o Governo do Tocantins, por meio da Agência do Desenvolvimento do Turismo, Cultura e Economia Criativa (Adetuc), disponível no link https://adetuc.to.gov.br/noticia/2020/10/7/conselho-de-politica-cultural-discute-edital-estadual--para-acesso-aos-recursos-da-lei-aldir-blanc/.

 

Serviço

O quê: Entrevista exclusiva com Carlos de Bayma, vencedor do concurso da ANTOLOGIA TOCANTINA 2021 - JOSÉ GOMES SOBRINHO

Como: realização de concurso online e gratuito, premiação e impressão de livro-antologia

Onde: https://www.facebook.com/antologiatocantina/

Quando: até 20 de julho/21 - inscrições; agosto/21 - seleção; setembro-Outubro/21 - edição; e novembro/21 – lançamento do livro e cerimônia de premiação em Palmas (TO)

Informações: (63) 9 9230-3182 / [email protected]  

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