Eleições OAB

As eleições da OAB serão amanhã e o cenário proporciona uma disputa inédita da jovem advocacia

Paulo Mello

Paulo MelloO jovem Paulo Mello é estudante de Direito e consultor político, com capacitação em comunicação política e legislação eleitoral. Escrevendo sobre os principais acontecimentos políticos, regionais e nacionais.

15/11/2021 15h00Atualizado há 2 semanas
Por: Paulo Mello

A política é uma equação complexa, sem resultado certo e sendo nada previsível, já dizia Magalhães Pinto: “Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou. ” Isso não seria diferente nas eleições da OAB na subseção de Gurupi, que tem demonstrado algumas mudanças importantes.

Em primeiro lugar, foi nítida a diferença na condução da campanha eleitoral da atual gestão depois que a cabeça de chapa se modificou. Com a saída de Welson Dantas por questões de elegibilidade, o seu grupo apostou em Elyedson, que não conseguiu manter a campanha no ritmo que recebeu de Welson. Talvez essa morosidade se dê pelo fato do grupo não dispor de um timoneiro que consiga conduzir todo o grupo. 

O que mais chama a atenção no grupo da atual gestão é o fato do grupo sempre ter exercido uma força considerável, e agora essa força não se mostra ativa, talvez seja por estratégia ou por figuras como Albery focar mais na eleição da Seccional. Falando nisso, vale pontuar algo importante ocorrido durante a eleição, uma fala de Albery em uma live produzida pela campanha de Ester Nogueira que repercutiu negativamente em Gurupi. 

 

Quando Albery descredencia a advocacia jovem que vem desempenhando papel de protagonismo nas eleições, o que foi de certa forma convencionado pelos demais participantes, demonstrando a visão de um grupo tradicionalista. Isso faz com que consigamos entender, por exemplo, o motivo do rompimento de Paulo Izidio com a gestão, na tentativa de uma viabilidade sem amarras. 

 

Izidio vem surpreendendo, mostrou que soube trabalhar bem o discurso com a diferença ideológica do grupo que deixou ao grupo que formou. Paulo teve sim uma ajuda substancial de Rodrigo Maciel, mas, sem dúvida alguma, o seu mérito é notável, visto que construiu uma força considerável durante a campanha, abalando os outros dois grupos.

 

Deve-se ressaltar que não é nada fácil colocar seu nome em uma disputa como essa, construindo algo novo, usando da força jovem e rompendo com um grupo que sempre demonstrou força na região. Algo que Vitor Schmitz não aceitou, pois hoje tenta administrar para si a força regional de Gedeon, grupo ao qual optou depois de recusar se candidatar pela terceira via, como apontado na última publicação. (clique aqui e confira).

 

Isso me fez lembrar algo interessante, quando Leandro Karnal em uma de suas palestras historiou sobre originalidade e juventude, ele disse: “Quem negocia com o poder, como Galileu Galilei, morre de velhice. Quem não negocia morre queimado, como Giordano Bruno.” Na política também existem essas duas escolhas, e a opção pela originalidade geralmente é exercida pela coragem da juventude. 

 

No caso dessas eleições, o desfecho pode não ser a fogueira, e o poder pode não ser sinônimo de força, porém a opção pela originalidade pode sim ser uma via ao qual o benefício da dúvida pode ser exercido pela primeira vez na Subseção de Gurupi.

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