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Cinema

Gurupi será destaque em Série nacional para TV sobre o engenheiro Bernardo Sayão

A cidade tem uma forte ligação com Bernardo Sayão, o grande arquiteto da Belém-Brasília, a rodovia que povoou toda a região centro-norte do Brasil.

06/07/2020 15h53Atualizado há 1 mês
Por: Redação
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 Gurupi terá participação destacada na Série que retatará a vida do engenheiro Bernardo Sayão, por ter sediado uma das unidades da antiga RodoBrás, e também por ter criado a primeira Faculdade dessa região, a UnirG (antiga Fafich). A Série está sendo financiada pela Ancine (Agência Nacional do Cinema) e será dirigida pelo cineasta tocantinense Hélio Brito.

“Bernardo Sayão e a Estrada de Papel” será uma Série documental de cinco episódios de 26 minutos cada um, para ser exibida inicialmente  em toda a rede pública de TV´s Educativas e Culturais do país, indo depois para os canais de Streaming e de TV paga. A Série contará avida do engenheiro, Bernardo Sayão, considerado o último bandeirante brasileiro, ou o bandeirante moderno. Será gravada com tecnologia 4k, nas cidades de Goiânia, Rio de Janeiro, Brasília, e ao longo de toda a rodovia, até Belém do Pará, sendo que Gurupi será uma das cidades a serem destacas na obra, pela sua importância histórica e pela relação próxima que estabeleceu com o personagem abordado.

 

A história será contada através de Depoimentos, Narração, Animação, Textos Teatralizados, Cenas Atuais, e Fotos e Filmes antigos.

Parte da pesquisa para a elaboração do projeto e do roteiro da Série foi feita em Gurupi pelo próprio Diretor Hélio Brito, em 2015, e contou com o apoio da Cooperfrigu (veja links dos vídeos da pesquisa logo abaixo, nesta reportagem). Durante essa pesquisa Hélio Brito produziu alguns vídeos em Gurupi, com o escritor e historiador “Robertão”, atual presidente da AGL (Academia Gurupiense de Letras).

Participação de Gurupi na Série

Importantes depoimentos serão gravados em Gurupi. Além de ex-trabalhadores da antiga RodoBrás, serão entrevistados também o prefeito Laurez Moreira, o presidente da Fundação UnirG,  Thiago Benfica, Dona Mocinha (viúva do engenheiro Waldir Lins), além do escritor “Robertão”.

Gurupi tem muita história para contar sobre o engenheiro Bernardo Sayão e sobre a rodovia em si. Para quem não sabe, a movimentada avenida Goiás era a própria rodovia, e era chamada de “Federal”

Segundo o diretor, um dos destaques de Gurupi na Série será a UnirG (Universidade de Gurupi), pelo seu pioneirismo na educação superior, por ser uma concretização do sonho de toda essa região do Brasil, e que pode ser considerada também como a realização de um sonho de Bernardo Sayão, que vislumbrava essa região bem desenvolvida, com escolas e universidades. Após 25 anos da inauguração da rodovia (1960) a região ganhou sua primeira Instituição de Ensino Superior, a Fafich, em Gurupi, hoje UnirG.

Hélio Brito está à procura de pessoas que moram na região que trabalharam, ou, que conhecem alguém que trabalhou na Rodobrás, para participarem da Série com depoimentos. Quem conhecer pode entrar em contato pelo número (63) 98497-9686.

 Sinopse

“Bernardo Sayão e a Estrada de Papel” narra a história do engenheiro carioca Bernardo Sayão (1901-1959), o último bandeirante brasileiro, e sua obsessão pela abertura da rodovia Transbrasiliana, hoje Belém-Brasília, unindo o sul ao norte do país, pelo centro, até então só possível pelo mar ou ar. Prevista desde o século XVIII, a estrada nunca saía do papel. Indignado com o descaso histórico, Bernardo Sayão decide tirar a Transbrasiliana do papel, por conta própria, no final dos anos 40, sem autorização oficial. Para isso, remaneja recursos da CANG (Colônia Agrícola Nacional de Goiás), hoje Ceres-GO, administrada por ele de 1941 a 1950,  e faz empréstimos bancários pessoais para os primeiros 100km em direção ao norte. Por tal ousadia perde o emprego na CANG e também o patrimônio, indo à falência. Mas em 1954 Sayão ressurge como vice-governador de Goiás, tendo como bandeira a estrada, e avança mais 320km. Os críticos dizem que a estrada levará nada a lugar nenhum. Mas em 1958 JK encampa a estrada ao seu Plano de Metas e Sayão promete concluí-la em dois anos. Num ritmo alucinante, poderosas máquinas importadas dos  EUA e da Europa, e um exército de homens, rasgam a selva amazônica em direção à Belém. Entretanto, Sayão morre atingido por um galho de árvore, faltando apenas alguns quilômetros para a conclusão da tão sonhada Transbrasiliana. Pela sua força e coragem,  Sayão é lembrado em toda a região como uma espécie de “Tarzan” brasileiro. A terra que ele povoou, hoje é grande produtora e exportadora de alimentos para todo o mundo (grãos e carne).

 

 

A visão do diretor Hélio Brito

“Sem a rodovia Belém-Brasília certamente não haveria condições que justificassem a criação do estado do Tocantins”.

O diretor destaca que Bernardo Sayão é conhecido, principalmente, pelo período em que esteve ao lado do Presidente JK na construção de Brasília e da rodovia Belém-Brasília, entre 1956 e 1959. Entretanto, a parte mais interessante da sua história precede a tudo isso: é  quando Sayão, administrador da CANG (Colônia Agrícola Nacional de Goiás), descobre o potencial da região centro-norte do país, até então um deserto demográfico, e decide tirar do papel a estrada Transbrasiliana (hoje Belém-Brasília), prevista desde os tempos do Brasil colônia, mas sempre esbarrando na falta de visão e na oposição dos políticos litorâneos, que viam o interior do país como algo inalcançável, sem chances reais de desenvolvimento.

 

 

 “Nos interessa essa rebeldia, esse rompimento com a letargia histórica reinante, essa quebra de paradigmas; e nos interessa também o fato de ter morrido pobre, deixando vários filhos, mesmo tendo levado progresso a toda uma região historicamente abandonada”.

Conforme o Diretor, essa Série consolidará a profecia de JK que disse: ´No futuro Bernardo Sayão fará parte dos compêndios de História do Brasil´.  E reafirmará o que disse o jornalista Danton Jobim: ´ ao seu país´. Falem de Sayão, o herói modesto e desinteressado, às crianças das escolas, para que aprendam a amar e servir com paixão

Hélio Brito –Gurupiense (nascido em Porto Nacional) 57 anos de idade. Documentarista, Curta-metragista, Produtor de Vídeos Publicitários, Marketing Político, e de Videoclipes Musicais. Cineasta tocantinense com a mais extensa obra.

Sobre a produção

No dia 21 de janeiro de 2020 a Ancine (através da EBC/BRDE/FSA) divulgou o resultado final do Edital “Chamada Pública BRDE/FSA Prodav 2018 TV´s Públicas” para produção de Documentários e Séries para TV. Dentre os ganhadores em nível nacional está o cineasta tocantinense (e também gurupiense) Hélio Brito, com o projeto “Bernardo Sayão e a Estrada de Papel”. O resultado final foi publicado no Diário Oficial da União do dia 21/01/2020, quatorze meses depois de várias eliminatórias. As gravações serão realizadas entre outubro e dezembro de 2020. Eram para ter sido entre maio e julho deste ano, mas em função da pandemia, a Ancine prorrogou a liberação dos recursos para o próximo mês de outubro.

Filmografia

1.            Conceição My Love (Ficção, 1983)

2.            Cinzas da Quarta-Feira (Ficção, 1984)

3.            Gurupi Or Not Gurupi (Doc, 1986)

4.            Salve-se Quem Puder!

5.            Cadê Profiro? (Doc, 2004)

6.            Tocantins Rio Afogado (Doc, 2006)

7.            Corpos Perdidos Na Estrada (Longa experimental de Ficção, 2007)

8.            Ligeiramente Grávidas, Uma Transa Brasiliana (Doc, 2009)

9.            Um Lagarto a Caminho do Bonfim (Ficção, 2012)

10.          Padre João da Boa Vista (Doc, 2013)

11.          Araguaia Para Sempre (Doc, 2014)

12.          A Mala dos Peixes Graúdos (Ficção, 2015)

13.          A Massa Que Faz o Pão (ficção, 2018)

14.          Cine Teatro Fernando Pessoa (Ficção, 2020).

 

Veja aqui o vídeo de pesquisa “Quando a avenida Goiás era Rodovia”: https://www.youtube.com/watch?v=1sXNt4tA0Hg

Veja aqui o vídeo de pesquisa “Histórias de Bernardo Sayão em Gurupi”: https://www.youtube.com/watch?v=jiOXjPa_EGU

 

 

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