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Opinião

A sustentabilidade não é uma disputa entre a direita ou a esquerda, e sim entre a inteligência e a burrice!

27/07/2020 15h34
Por: Ricardo Almeida
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A visão do homem e sua relação com a natureza vem mudando há muito tempo. Basta observarmos o quanto as mensagens para a preservação da natureza se alteraram nos últimos anos. Antigamente a principal mensagem soava algo como: “seja você bonzinho e preserve a natureza”, hoje mudou para algo como: “seja inteligente e contribua para a manutenção de sua vida”.

A ciência e a história mostram para o ser humano que a natureza não morre, ela simplesmente se transforma e quem pode morrer são os seres vivos que se adaptaram com certas condições impostas pela natureza, prova disso são os dinossauros que não sobreviveram às mudanças. A teoria dos sistemas já provou que se adaptar à natureza é questão de inteligência e sobrevivência, os exemplos são os camelos ou os ursos polares que adaptaram seus sistemas ao local onde vivem!

Já há muito tempo o conceito de desenvolvimento econômico é somado ao da sustentabilidade, pois sem essa não se poderá conceituar como desenvolvimento.

Desta maneira, inteligência é fazer diferente do que foi feito no passado. Se hoje o Brasil tem uma área muito maior de preservação, isso deve ser visto como vantagem e não como “oportunidade” de devastação como muitos outros países fizeram no passado.

Hoje a tecnologia possibilita ter alta produção em áreas menores, e isso sim é inteligência, assim como também aproveitar economicamente as áreas preservadas com turismo, biociência, selos de preservação que aumentam o valor do produto entre outras estratégias.

Os cafés mais caros do mundo possuem características especiais e às vezes para os leigos muito estranhas como o grão Kopi Luwak, que é produzido na região da Indonésia. Os grãos são ingeridos por civetas, mamíferos típicos da indonésia. Durante o processo digestivo, o animal libera enzimas e ácidos sobre o grão de café, que passa por um processo de fermentação natural.

Vinho Terroir, significa o local que foi produzido e confere a qualidade da bebida por sua relação mais íntima entre o solo e o micro-clima particular. Estas características definem maior ou menor valor do vinho no mercado. Construir um Terroir é inteligência!

Existe sim uma “guerra mundial” pelo mercado e pela produção, sempre existiu e ela nunca foi para amadores, porém querer impor ao mercado somente aquilo que se acredita ser melhor “apenas” para você é perder a guerra. Aí entra a inteligência, pois não se pode ser simplista em uma questão complexa.

O Brasil tem tudo para se sobressair nesta disputa, mas com certeza não é se isolando ou querendo ter como estratégia as mesmas ações que foram realizadas, de forma errônea, pelos outros países no passado. Temos que ser protagonistas nestas novas condições e visões de mundo.

Fazer diferente, preservar nosso patrimônio e provar ao mundo que ele depende de nós e de nossas ações não somente para se ter alimentos como também para a sobrevivência do planeta deve ser o objetivo. O motivo é simples (não simplista)! Quanto vale isso?

 

Ricardo Almeida

Administrador, Doutor pela Universidad de León, revalidado pela UFBA em Comunicação e Cultura Contemporânea. Consultor ad hoc MEC/INEP, pesquisador e professor titular dos cursos de Administração, Medicina, Engenharia Civil, Jornalismo, Vice-reitor da Universidade de Gurupi - UNIRG. Tem experiência nas áreas de Administração, Inovação, Criatividade, Tecnologia, Propaganda e Marketing. Atuando principalmente com os temas: Marketing, Consumo, Ética, Tecnologia da Informação e Comunicação, Governo Eletrônico e Educação.

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